// 20/08/2025

O Serviço de Entregas da Kiki | Resenha


Kiki é uma adolescente bruxa que vive com sua família. Como de costume, quando as bruxinhas completam 13 anos, é hora de partirem para uma aventura sozinhas. Elas terão que procurar uma nova cidade, um novo local para viver e se virarem sem a ajuda da família. Em companhia de seu gatinho sincero, Jiji, a menina pega sua vassoura e sai por aí. Ela acaba encontrando uma cidade litorânea, como tanto queria. E aí a história começa.

Tem quatro coisas que me chamaram atenção no filme.

A primeira delas é que o fato de Kiki ser uma bruxa não a torna especial frente aos outros que não são. Ela não é A super heroína do filme que vencerá tudo e todos. Pelo contrário. Ela, na verdade, se decepciona com a recepção na nova cidade e tem que aprender a viver naquele lugar e a obedecer às novas regras impostas ali. É realmente uma questão de adaptação, amadurecimento e responsabilidade.

A segunda coisa que achei interessante talvez explique um pouco isso que acabei de dizer. Essa coisa de “ser bruxa” não é explicada no filme. A mãe e a avó de Kiki também são bruxas, mas nem todos são. E não é como em Harry Potter, em que a magia é algo secreto. Na cidade as pessoas se espantam com Kiki, pelo motivo de que talvez não haviam visto uma bruxa em muito tempo, mas não parece ser algo extraordinário. E acho bom que o filme não tenha se focado nesse ponto. Ficou uma informação em suspenso, mas que acabei esquecendo durante o filme.

Outra questão interessante é que não há um vilão daquele tipo que estamos acostumados. Alguém muito mau que quer destruir o mocinho(a). O vilão é a própria Kiki. São as barreiras e limites que ela tem que vencer para se virar no novo lugar e se relacionar com as pessoas. Acho que isso está presente em outros filmes do Miyazaki e talvez tenha a ver com a própria cultura oriental, mas não sou conhecedora disso pra dizer. Mas o fato de que não tenha esse ser malvado e a luta clichê bem x mau, deixa o filme mais leve. Não mais bobo ou infantil, mais leve. Ao mesmo tempo, pra mim, o vilão é ainda mais realista, já que são coisas que podemos nos identificar facilmente.

Por último, mas não menos importante, queria falar do gatinho Jiji. Já assisti muitos filmes com gatos como personagens, mas acho que o Jiji foi o melhor que já vi até hoje! Eles realmente conseguiram colocar nele essa personalidade rabugenta e autocentrada que os gatos (eu imagino haha) tem. Ele não se mostra completamente feliz com as coisas, sempre sugere algo diferente, despreza os outros gatos que vê… Parece muito com vários gatos que eu conheço!

Bom, acho que deu pra notar que eu gostei do filme, né? Tentei encontrar um trailer pra colocar aqui, mas só tem sem legendas ou então na versão americana, que é muito sem graça. Eles dão um tom completamente diferente pra coisa. Inclusive, nós assistimos o filme com uma legenda que foi feita a partir da versão dublada em inglês e tem vários diálogos a mais, acreditam? Coisas totalmente desnecessárias e explicativas. Fiquei chocada com isso… Procurem pela versão original!


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